14 de julho de 2011

Promoção

Betinho, que de inho só tinha o nome, pois era gordo o suficiente para ter que virar de lado para passar pelas portas, estava que peidava na sala de estar. Parecia uma motoca com escapamento estragado.

Aquilo já vinha há muito incomodando Zz, que por fim resolveu se insurgir e perguntou:

- Betinho, por que você não vai ao banheiro?

Passaram-se alguns segundos até que a resposta viesse de encontro aos ouvidos de Zz. Eis que Betinho retrucou:

- Se eu quiser cagar, eu vou, levanto e cago. Se eu quiser peidar, eu fico e peido.

Foram-se vários anos até que Zz finalmente entendesse a densidade do ensinamento que seu tio lhe dera aquele dia.

Finalmente veio o dia em que ele incorporou ao repertório de posturas profissionais. A discussão estava acirradíssima acerca da criação de um novo canal de comunicação da empresa, facultativo, para agilizar a execução de alguns procedimentos específicos.

Era óbvio que aquilo era desnecessário. Era óbvio que aderiam apenas os que quisessem e era óbvio que os que aderissem iriam só tinham benefícios a tirar do novo canal. Mas todos continuavam a discutir o porque de tudo aquilo.

Zulmar simplesmente se levantou e falou:

- Quem quiser faz. Quem não quiser, não faz.

Surpreendeu-se meses depois com o fato de que foram os peidos de seu falecido e gordo tio que restaram por lhe render a tão almejada promoção no serviço.

7 de junho de 2011

Pátria amada desimportante.

Zezé* ficou sabendo que uma pessoa de reputação questionável ficaria responsável pela administração de todo processo de compras para uma grande festa que ia ter em seu condomínio. Ele ficou reticente e cabisbaixo. Rememorou imediatamente a letra de Brasil, do Poeta que tanto admirava, e desta vez entendeu porque era cantada com tanta raiva. Depois de certa idade, a gente consegue saber quem é que paga pra gente ficar assim. Nessas horas dói ainda mais.

* Zezé é um personagem que mora nas minhas gavetas há muito tempo. Tanto tempo que chega a ser admirável o fato de ainda não ter sido completamente devorado pelas traças. O nome dele de verdade é Zulmar Zaravalho. Mas tem quem o chame de ZZ, ou Zezê. Outros, de Zezé. A diferença entre um e outro aparece por aqui qualquer dia desses.

4 de maio de 2011

Coloretto Card Game


Há um tempo postei aqui no blog (ou no Buzz – não me lembro) a notícia de que a empresa nacional Grow iria publicar jogo aqui no Brasil.

Pois bem, publicou e, para prestigiar, comprei umas cópias para dar de presente e dar uma olhada na qualidade do produto. O que eu achei?

Bom, sem rodeios: a qualidade das cartas é XEXELENTA! Horrível mesmo. Absolutamente decepcionante! Ao invés de investirem em cartas plastificadas, ou com gramatura mais grossa, optaram por um papel cartonado fininho. A impressão ficou tosca. Tão tosca que até parece feita em impressora jato de tinta.

A meu ver, perderam a chance de conquistar um nicho de mercado e público correspondente. Mesmo que a melhor qualidade do produto implicasse custo um pouco mais salgado (O jogo custa, em média, R$ 15,00. Creio que poderiam tranquilamente ter feito algo de qualidade comparada ao carteado COPAG por cerca de 30 reais).

O jogo em si é muito divertido. Tenso e com decisões complicadas o tempo todo. Muito bom! Tão bom que acho que não merecia ter tido uma edição tratada, a meu ver, com tanto mau-caso como esta.