24 de setembro de 2009

Falando Direito: a Boa-Fé

No Direito, temos uma coisa chamada de boa-fé objetiva. A explicação técnica dessa bagaça é muito chata. No fundo, ela significa o seguinte: “Ó aquele brother desconhecido ali, tirando a pedra daquele lugar. Boto fé que tá fazendo isso pra ninguém tropeçar”. Formalmente seria pressupor que a ação do sujeito observou todos os meios que o homem comum adotaria numa ação para ajudar (ou não atrapalhar) outrem.

A boa-fé subjetiva é quase a mesma coisa. A diferença é que vai ser necessário perguntar diretamente ao brother, buscado que ele demonstre, satisfatoriamente, o porquê de ele ter movido a pedra de lugar (ou seja, ele vai explicar as razões que o levaram a crer que a moção da pedra evitaria que os outros tropeçassem). É o diabo do “nexo” da conduta (civil e não penal – mas essa discussão foge ao tema).

Já a má-fé é o seguinte: “Ó aquele brother tirando a pedra daquele lugar e colocando naquele outro para quem passar desapercebido tropeçar. Safado!”. (Funciona também dizer “Ó aquele brother passando por cima da pedra e deixando no meio do caminho só para os outros tropeçarem”. No bom e velho português é a “filha da putagem”. Para os chatos, é conscientemente agir de forma a prejudicar outro sujeito (ou não ajudar outrem, quando imperativo).

Pois bem. No trabalho (de qualquer natureza – seja privado ou público) sempre entendi que devemos agir como um organismo (daí chamarmos repartições de Órgãos). Conceitualmente, o objetivo é atuar harmoniosamente para a consecução de um objetivo comum, que varia conforme o escopo da entidade. Cada em sua baia, mesa, ou pomposa sala, seria uma célula agindo de forma a facilitar as cadeias seguintes. Logo, espera-se que as ações sejam alinhadas para a coisa funcionar direito. Para tanto, todos devem agir de boa-fé, se não, caga tudo!

Veja só: o meu organismo age de boa-fé. Do contrário eu sairia com as calças todas borradas na rua! Por que no trabalho, que também é um organismo, a coisa não deve ser igual?

O problema é que, muitas vezes, isso não acontece. O que costuma valer é o jogo de empurra. Aquela brincadeira de criança, “passa se não fede”, sabe? Parece que os marmanjos (e marmanjas) até hoje amam brincar disso. É uma verdadeira competição – quase que um campeonato nacional!!

A questão é que tanto no arcabouço privatista quanto publicista essa atitude denota má-fe. Basta bom-senso para saber que chutar um pepino pra frente, sem sequer cuidar minimamente dele (ciente de que isso vai complicar a etapa seguinte), vai fazê-lo feder (e isso vale tanto denota quanto conotativamente). Para mim, isso se encaixa na definição 3º parágrafo.

Tudo fica ainda mais grave quando a “ajuda” da etapa anterior depende da simples leitura de uma tabela de 9 linhas, dentre as quais 7 apresentam uma locução adjetiva restritiva e as 2 restantes não. Ora, se 7 apresentam o diabo da locução (e logo restringem) e outras 2 não (e portanto NÃO restringem), é porque essas últimas duas se aplicam a todos! Óbvio, né? Pois é, alguns acham que não... Gente, por favor, isso é português, interpretação e um pouquinho de lógica!!

Pior é quando deturpam uma palavrinha e, usando de um sinônimo muito genérico (analisado e pacificado são extremos opostos, no meu entendimento) só para não terem o trabalho de justificar algo em 3 paragrafozinhos (lembram da boa-fé subjetiva), atitude esta que te compromete, porque o que foi autorizado no passado não é a mesma coisa que buscam agora. Para mim, isso é má-fé. Ou melhor: filha da putagem! Ou estou errado?

21 de setembro de 2009

Laura disse 4

Laura estava concentrada. Nada falava. Sua cabeça (e mesmo olhos) mal se moviam. Franzia levemente a testa, como se tentatasse resolver uma equação oculta e pessoal. Eis que, do nada, vira e fala:

- O Carma vai trazer o gergelim para você!!

(Corre à boca miúda que, minutos antes, Laura estava concentrada tentando limpar, com a língua, a parte anterior dos dentes, onde havia grudado um gergelim - sim, presume-se que ela estivesse comendo baguete com gergelim. Por conta disso, foi sacaneada por sua companhia que, segundo depois, levou o dedo aos dentes, como se um palito fosse, também buscando se livrar de um gergelim).

15 de setembro de 2009

26 de agosto de 2009

Laura disse 2

(Sobre o acidente do Massa)

- Mas que bom que não tinha uma árvore, como com o Senna, né?!

???!!!
!!!???

17 de julho de 2009

Jogos de tabuleiros modernos são elitistas?

Me perguntaram se eu achava o hobby elitista. Eis a resposta:

Elitista elitista eu não sei. Mas popular tenho certeza que não é.

Ressalto que restrinjo meu comentário à realidade Brasil. Poucos são os que tem condições para torrar a grana necessária para encarar os jogos modernos.

Para começar há o idioma: para jogar legal, aprender as regras, poder ensiná-las e até mesmo comprar os jogos online, um cursinho de inglês - nem que seja básico (para contar com a ajuda dos amigos para o resto) - é necessário. Isso não é barato. Essa seria uma pré-etapa.

Depois tem a compra propriamente dita. Primeiro tem que ter um computador. Afinal de contas, não dá para comprar na loja do outro lado da rua. Tem que ter cartão de crédito internacional também. Isso também não é barato. Depois, ainda que seja apenas 1 jogo sendo importado, com o frete, tudo vai sair em média 100 dólares. Em um país em que o salário mínimo gira perto dos 500 reais, é grana pra burro e faz falta pra muita gente.

Ainda existe a "cultura" do jogo. Explico-me: É muito provável que seja necessário se debruçar um tempo sobre as regras. Ler. Reler. Ir a fóruns de discussão. Tirar dúvidas. Ver perguntas frequentes. Testar o jogo sozinho às vezes... É necessário gosto, atenção, leitura, dedicação para fazer o "trem" direito. Isso tudo demanda tempo! E tempo, como dizia Tio Sam, é dinheiro. Quem precisa de trabalhar 10hrs por dia para sustentar a família não pode se dar esse luxo sempre.

A coisa é tão cultural que, se pararmos para pensar, um monte de gente que consideramos "socialmente avantajadas" (ricas, ou bem de vida para falarmos português) também não tem o saco para ficar aprendendo milhões de regras. A tendência é sermos mais imediatistas (sejam os da "elite" ou não). Em um país em que se tem preguiça de ler o jornal ("guilty as charged here") e conferir o troco do pão, pouquíssimos terão a disposição para fazer todo o preparatório de um jogo moderno.

Por isso, não sei se podemos simplesmente taxar o hobby como elitista, pura e simplesmente, pois, muitos da "elite" sequer se interessam ou se empenham nele. Mas, certamente, não é um hobby popular. Grande parte disso em razão de ser ser caro.

Intelectualizado? Também não acho que dê para definir assim. A maioria das pessoas procura os jogos para se divertir, espairecer, fazer amigos, e não agregar conhecimento. Vale destacar que mesmo que ler o manual de um jogo requeira dedicação, não é o mesmo que se debruçar sobre um livro teórico qualquer, seja de história, matemática, direito, física... Além de ser beeem mais rápido e simples (tá tem jogo que dá dor de cabeça para entender - mas definitivamente não é a mesma coisa) os propósitos são bem distintos.

Agora que registrar que digo isso sem a menor intenção de parecer "melhor" ou superior por fazer parte deste pequeno grupo de jogadores. Muito pelo contrário. É em tom de lamento mesmo. Uma pena que algo tão saudável, promotor de interação (e integração), fraternidade, desenvolvimento de racioncínio lógico, como é o hobby, seja de tão difícil acesso.

Abraços!

2 de julho de 2009

Laura disse

Essa é a estréia de uma nova seção do blog. Mais curta, mais caricata, menos densa... Menos Bruno e mais Laura, digamos assim.

Laura é um personagem fictício (ou não). Jovem e despojada, se esforça (ou não) para dizer nonsenses no dia-a-dia, principalmente quando está feliz. Às vezes, ela também o faz no meio de grandes grupos de pessoas para parecer engraçada. Nem sempre funciona.

Alguns desses nonsenses são verdadeiras pérolas. Outros parecem muito forçados e não vale a pena registrar aqui. Os que valerem entrarão no "Laura disse".

Para começar:
- Esse caminhão da Coca-Cola Zero (aquele pintado em preto, branco e vermelho) também vende Coca normal?